segunda-feira, 10 de outubro de 2011

poema de andré dick e quadro de hopper


quadro do estadunidense edward hopper (1882-1967)
          
             [ num quadro de edward hopper      ]


a vida destrói
um sol
quase esquecido
numa tela
de hopper:

o posto de gasolina
abandonado,

onde o senhor,
talvez o dono,

em seu ócio,
rega a grama

com sua bomba
de petróleo
>
poema de André Dick recolhido de na virada do século: poesia de invenção no Brasil (2002), organizada por Frederico Barbosa e Cláudio Daniel.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

wander shirukaya lança BALELAS

   
      [  DIVULGANDO           ]

O amigo Wander Shirukaya lança BALELAS, seu primeiro livro de contos, no Terraço Brasil, praia do Cabo Branco, João Pessoa, amanhã, 5 de outubro, às 19h00. Pelo que conheço de sua narrativa, de sua capacidade de capturar o leitor com um texto sempre bem construído, seu livro terá muito boa acolhida.
O Balelas está saindo pela editora Mutuus do Rio de Janeiro, com prefácio de Liane Schneider. Será vendido por R$ 28,0.
]



inédito

               [ multidão só     ]



saio
mal caio

em equilíbrio precário
resvalo
cilíndrico 
solto
nos desvio
de tanto rosto

volto cambaio

desmaio
vivo etceteras 
absorto

aonde ir?
para onde sair? 

sem registro do autor, foto disponibilizada na net


quinta-feira, 29 de setembro de 2011



[Melancolia, último filme de Lars Von Treir, é um pesadelo irresistível. Indigesto do começo ao fim para quem alimenta "ideologias da felicidade", para quem alimenta o estilinho burguês de contentamento. Como num soco, Von Trier diz: esqueça, baby! Recomendo veementemente. Não recordo de ter sentido tamanha mistura de sentimentos numa sala de cinema, a respiração era outra. Mas o impacto, obviamente, é variável, depende da sensibilidade que se captura. No fim, foi um alívio e mais algumas cervejas para pegar no sono. Sai ainda mais cético da sala] 


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

estudo para tempo grave

 





[ sem máscara de ar ]






POEMA É SINTOMA

: VERTIGEM NA PELE-PALAVRA
: RESPIRAÇÃO CUTÂNEA QUANDO A PELE, PALAVRA

E TAMBÉM OUTRAS COISAS QUE SÃO OUTRAS
FEITAS DO MESMO E SEMPRE MESMO
GESTO-GOSTO INFLADO, ENFADO


 



texto meu, inédito e em processo.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

poema de frederico barbosa + música de ludov

[ à insônia e ao atropelo do dia sem saída ]   


(...)

procuro no vão
pegar
no sono do sono sem sono
apagar
do sono no sono sem sono

procuro no vão
do sono


*

rondam fantasmas
lembranças lentes
resgates graves
do esquecimento:

rolam farrapos
detalhes frágeis
resquícios do dia
entraves lentos:


*

talvez razão na insônia
talvez insânia
> poema de Frederico Barbosa, do Louco no Oco sem Beira (2001)


***

+ ludov p/chá p/já


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

9º Festival Recifense de Literatura

DIVULGANDO:


A capital pernambucana sedia nesta semana o 9°Festival Recifense de Literatura – a Letra e a Voz. A proposta é discutir a questão da memória em gêneros e narrativas literárias. Os homenageados serão os escritores Lucila Nogueira e Marco Polo Guimarães. O evento, que é realizado pela prefeitura do Recife e segue até o próximo domingo (28), terá seminários, oficinas, debates, lançamentos, mostra de cinema, além da Festa do Livro.

O festival, que contará com a presença de nomes da literatura nacional como Julian Fucks (SP), Michel Laub (SP), Zé Paulo Cavalcanti (PE) e Joca Reiners Terron (SP), tem como destaque em sua programação o lançamento de livros dedicados aos homenageados da edição. O livro dedicado à obra de Lucila Nogueira – ‘Não demores tanto’ - reúne poemas de amor; já o de Marco Polo – ‘Oficina do Avesso’ - faz um apanhado do legado do autor, incluindo três poemas inéditos. Os lançamentos acontecem nesta terça-feira (23), no espaço Muda.

Para os amantes da poesia, o Festival Recifense de Literatura promove no sábado (27), na Livraria Cultura, um bate papo sobre poesia que contará com a participação dos poetas Wellington de Melo, Cida Pedrosa e Pedro Américo. Cada um deles recitará e comentará um texto que influenciou suas escritas.



FESTA DO LIVRO


A programação de lançamentos e exposições da Festa do Livro é uma oportunidade para conferir a produção editorial pernambucana, na literatura de cordel, publicações alternativas, além de prestigiar os livreiros já tradicionais do evento. No sábado e domingo, haverá programação infantil que inclui contações de histórias, cineminha e espaço de leitura, no Espaço Criança, que funcionará no térreo do Shopping Paço Alfândega
PROGRAMAÇÃO COMPLETA > aqui


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

>
para dias de um chile insurgente, um chile que não se dobra e não cessa, que se multiplica por mil. milhares enchendo as ruas: 70, 400 mil. um chile que se renova no protagonismo dxs estudantes, recobrando a memória da histórica esquerda chilena, para esse chile, deixo aqui a poesia bélica de silvio rodriguez, numa linda versão de santiago de chile, música impreganada de indignação pelo golpe de 73, pela repressão brutal da ditadura de pinochet, pelo adiamento do sonho democrático socialista. o chile insurgente é um alento, um sopro de alívio nesta sexta-feira. viva chile! 


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

3 poemas de amador ribeiro neto

recato


telefone email fax correio
ligações estão ficando perigosas demais
literatura já deu cinema
deu cama em motel de segunda
a sábado menos domingo deus sabe lá porque diabos este
caso pode dar dor de cabeça brabas em sendo
assim eu li em camões nos tempos de ginásio inês é morta já
não sou mais bobo de voar de asa delta coração
sem reservas



saudades


assim
saudades sim
simples
como brinco tupiniquim
um coco de roda
cirandas voltas de tu em mim



escassez


falta dinheiro & falta
falta um poema

aqui
no meu bolso

com tutano medula
& osso

poucos
bem loucos

raros poetas
falam disto

muito
poucos



> poemas de Amador Ribeiro Neto retirados de barrocidade (2003).

domingo, 7 de agosto de 2011

estação bolívia

> NOTA SOBRE A MÚSICA DE ZELMA VARGAS (ZoE)

Vivi entre La Paz e El Alto (cidades contíguas) durante 7 meses. Lá estive realizando trabalho de campo relativo ao projeto de tese que venho desenvolvendo. Além de tratar das questões relacionadas ao processo político boliviano contemporâneo, às dinâmicas de organizações de movimentos populares nas quais me vi metido cotidianamente (e que me cobrava quase toda energia), tive a oportunidade de conhecer alguma coisa da literatura, da música e do cinema produzidos principalmente desde La Paz. Algo que realmente me encantou pela vitalizada, pela força criativa. Voltando ao Brasil, sempre que posso tenho tentado socializar um pouco do que conheci. O tempo sempre curto termina dificultando um pouco as coisas. Voltei interessado em, através do blog, divulgar pelo menos alguns dos poetas que conheci, algo que em certa medida iniciei e no fôlego possível pretendo dar continuidade. Divulguei também (ainda que muito precariamente) alguma coisa de cinema e de música.

zelma vargas, foto divulgaçao
Dentre poetas e músicos que conheci em La Paz, certamente Zelma Vargas foi uma das mais interessantes. Desenvolvendo um trabalho autoral e bastante inventivo, atravessado por referências musicais contemporâneas diversas, capturadas e articuladas de maneira muito própria; incorporando poemas do poeta cubano Nicolás Guillén e do uruguaio Mario Benedetti como letras de músicas; e articulando tudo isso a sua voz poderosa e a seu violão sempre intrépido, Zelma, pese sua pouca idade, elabora uma identidade sonora que lhe coloca certamente num lugar especial não só na música paceña (de La Paz) ou boliviana. Aqui em casa, sempre que possível, no encontro com amigos, encontros festivos ou não, quando o som de Zelma se faz escutar, ele é acolhido por todos com uma sensação muito próxima a que tive quando a escutei pela primeira vez. Uma sensação de encantamento. Rebeldia e delicadeza, melancólica e contentamento.
Acredito que, não obstante a língua (que não deve ser um problema), muitos/as outros/as brasileiros/as também seriam capturados por sua música.  Pena que pouca coisa esteja disponível na internet.

+ alguma coisa aqui.

Abaixo uma nota que me chegou outro dia num email de divulgação de uma de suas apresentações

:

Zelma Vargas (Zeta) se auto interpreta desde el año 2004. En su primer disco llamado ZÖE (llena de vida) que fue grabado entre 2006 y 2008, se escuchan poemas de Mario Benedetti y Nicolás Guillén musicalizados con diversos instrumentos, algunos convencionales, otros tradicionales y otros que son más bien objetos sonoros. A pesar de ser pianista y no así guitarrista, Zelma encuentra en la guitarra de manera empírica, una gran compañera y herramienta de expresión; la explora así de diversas maneras, característica que se hace propia de su estética musical al igual que su voz que sale desde las entrañas con intensidad o delicadeza cuando así se requiere. Sus letras hablan de temas sociales, pasiones, experiencias personales y existenciales; escritas en versos, prosa y de manera experimental. Su única intención es comunicar su forma de ver y vivir la vida. Ama la música de Fernando Cabrera, Eduardo Mateo, Violeta Parra, Matilde Casazola, Café Tacuva, Revueltas y las músicas tradicionales indígenas entre otras de diversos estilos. Se autodefine como “auto-intérprete” porque a través de la música puede conocerse, reconocerse, y curarse de este hermoso pero insano mundo. Z. (SU OTRO YO). <


lançamento de livro de bruno gaudêncio

divulgando nota recebida por email

:

Na próxima sexta-feira, dia 12 de Agosto, às 19:30 horas, o escritor Bruno Gaudêncio lançará na cidade de Campina Grande, Paraíba, o livro Cântico Voraz do Precipício (Via Litterarum Editora, 68 pgs. 15 reais) no Centro de Cultura e Artes da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), antigo Museu Assis Chateaubriand, localizado ao lado do Terminal de Integração.

Natural de Campina Grande (PB), o escritor Bruno Gaudêncio em 2009 publicou a coletânea de poemas O Ofício de Engordar as Sombras (Sal da Terra). Seu nome vem destacando na atual literatura paraibana, graças a sua atuação junto aos Núcleos Literários Blecaute e Caixa Baixa (respectivamente de Campina Grande e João Pessoa) e pela co-edição da Revista Blecaute, juntamente com seus amigos Jãn Macedo e João Matias de Oliveira.
desejo a Bruno boa sorte na divulgação e recepção da obra!
<

poema do sem lugar

EQUIPAMENTOS <

EM TERMOS CONCRETOS
POSSUI SOMENTE:

SUA CONSCIÊNCIA SÃ
SUA FAMÁRCIA DE LEXOTAN


intervensão em muro, sopocachi bajo, ciudad de La Paz I 2011


> o poema é do livro sem lugar (2007)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

>

chá hoje faz 30 anos. nem acredito. nem ela acredita. não denuncia em nada o gesto da idade. só acredito nos quase 11 anos que estamos juntos. e no que virá. nada me comove mais do que chá. esse cuidado e desejo multiplicados diariamente. foram tantos poemas dedicados, mas infelizmente nenhum publicável. minha sorte diária: capturar pela sala, pelo quarto, pelo ordinário do dia, a displicência de sua força que pode ser bélica e é sempre delicada, seu contentamento mais preciso, seu ruído e cheiro, seu sorriso-gargalhada mais intenso e vivo. sua pedagogia de futuro infinito e raro. seu corpo descoberto no tato lento do desejo elétrico. chá quer o mundo calmo compartido, como casa cheia de amigos e familiares queridos. quer cães e outro bichos. jardins, jardins, jardins desde o começo. é meu continente sem tiranos, minha casa de alívios, vício e viço, e também precipício. antídoto pro meu jeito magro e combalido. e algo sempre mais. oxalá, logo também mãe, porque como gênio do gênero, não pode deixar de ser a possibilidade de outro início.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

poema de haroldo de campos

aproximações ao topázio - 1


um leão 
microcéfalo
explode:

a palavra
topázio 

poema inédito

INÉDITO <




OS PÊLOS ERIÇAM AO TOQUE
     TEU GOVERNO EM PÂNICO


A LÍNGUA PROSPERA O GOLPE


> um poema meu, recente.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

poema de sérgio alcides

Combustão


Uma cidade cercada de incêndios.
Vivemos debaixo de fuligem nesta seca.
Há muita cortesia, como se nada.
Como se as narinas não ardessem.
E os troncos acesos dessem flor.
Também agarro algum crepitar de meu.
Sob o céu amarelo, sob a lua roxa.


> poema de Sérgio Alcides, do livro O Ar das Cidades, 2000.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

poema do sem lugar

<
DE VEZ


lua em prumo de oceano raso
e uma maré de pernas
sem bússola

   abaixo

: santos que somos
  anjos que somos
  insanos
  demônios que somos
  apenas humanos


poema do meu livro Sem Lugar (2007)

sexta-feira, 15 de julho de 2011


>
Silvio Rodriguez para Chá. Música besta que não larga.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

poema de ana rusche



rotina


o tempo

num envelope grande, pardo, lacrado.


:
do livro rasgada, de 2005

terça-feira, 5 de julho de 2011

poema de Alberto da Cunha Melo

>

CANTO DOS EMIGRANTES



Com seus pássaros
ou a lembrança de seus pássaros,
com seus filhos
ou a lembrança de seus filhos,
com seu povo
ou a lembrança de seu povo,
todos emigram.

De uma quadra a outra
do tempo,
de uma praia a outra
do Atlântico,
de uma serra a outra
das cordilheiras,
todos emigram.

Para o corpo de Berenice
ou o coração de Wall Street,
para o último templo
ou a primeira dose de tóxico,
para dentro de si
ou para todos, para sempre
todos emigram.

:
 
poema de poeta pernambucano Alberto da Cunha Melo (1942-2007), do livro Noticiário, de 1979, disponível em edição eletrônica comemorativa dos 40 anos de atividade literária do poeta em 2006. O livro pode ser acessado na íntegra clicando aqui. 
 
o poema Canto dos Emigrantes foi selecionado por José Nêumanne Pinto para compor a antologia Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século, publicado 2001. E musicado pelo Cordel Fogo Encantado.
<

poema de Jairo Cézar

>

NOSTALGIA
         a Linaldo Guedes



Ouvir um vinil é sentir na pele
A agulha que cose a mortalha
Da nota que viveu sem saber
Que um dia, tão viril, viria ceder.

:
 
Poema do poeta paraibano Jairo Cézar, do livro Escritos no Ônibus (2009), selecionado e publicado dentro do programa "novos escritos" da Prefeitura Municipal de João Pessoa. Agradeço mais uma vez a Jairo pela remessa do livro.
 
<

sexta-feira, 1 de julho de 2011

poemas de lau siqueira

poemas do livro Poesia Sem Pele (2011)
<
conceito



não alongo
poemas

apenas curto

no máximo
s u r t o



condição
humana



pequenas multidões
no desamparo das horas
sumidas


pequenos desastres
e uma extrema
coragem



bizarro



olhar
ecoado
no espelho

os dias passam

sem que a vida
devolva nenhum
dos pedaços


nota>

Com Poesia Sem Pele Lau Siqueira confirma, uma vez mais, a vitalidade de sua poética, sempre aberta às possibilidades expressivas da linguagem, marcada pela abertura a procedimentos construtivos das vanguardas (mas sem se esgotar neles) e por uma consciência construtiva que lhe conduz à elaboração de poemas onde se explora, no limite, a palavra exata, signos poéticos precisos, o verso denso. Consciência construtiva presente também em suas incursões metapoéticas (ex. o poema “conceito”, acima). Poesia Sem Pele vem atravessado ora por uma atitude desabusada, explorando a coloquialidade da linguagem cotidiana, ora por meditações existencialistas, ora por uma atitude denunciativa das mazelas sociais. Numa atitude de engajamento com o mundo presente, traz ainda, articulada em boa parte dos poemas, a percepção do tempo presente, da velocidade, da fragmentação, da precariedade do tempo no mundo contemporâneo. Do tempo atropelo que nauseia e entorpece, e que interdita o acesso ao silêncio. O poeta atento parece querer captar o grito que se elabora dentro do silêncio, o gesto, a palavra pulsante intermitente, incerta e fugidia, mas preste a explodir, forjar-se poesia. E o faz. Como diz em “poetria”, “poema é face descoberta / de tudo que pulsa // poema é atitude permanente / em tudo que passa // (que massa)”. Poema no encalço de um efeito de liberação. E para lográ-lo, Lau recorre a imagens da natureza: o pássaro, as asas... signos de liberação possível. Exemplo é o poema: “vvvvvvvvveloz / a vida pássaro / por nósssssss”. O poeta retém a velocidade que passa e, numa leitura possível, parece contemplar, no limite de quem resiste, o pássaro sobre nossos gestos apressados, uma imagem retida por fora do turbilhão nauseante no qual estamos metidos, e que nos chega como signo de liberação possível, efêmera também, porque o pássaro logo passa, e não empresta suas asas... Mas algo certamente se elabora dentro do silêncio.

 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

divulgando

>

EXERCÍCIOS DE ADMIRAÇÃO
Conversas com gente do pensamento e da criação artística

Exercícios de admiração é título de um livro em que o filósofo romeno Cioran (1911–1995) desenvolve perfis de escritores e pensadores de sua admiração, tais como Beckett, Michaux, Jorge Luís Borges, Joseph de Maistre, Mircéa Eliade, Saint-John Perse e Fitzgerald. Na linha do filósofo inspirador, os nossos Exercícios praticam a provocação intelectual focada na obra e no pensamento da pessoa convidada.

EXERCÍCIO II

CONVIDADO
Poeta Almir Castro Barros – autor de Estações da viagem (1975), Os cães da sina (1979), Ritmo dos nus (1992),O lugar da alma (1999), Ardentias (2006) e Um beijo para os crocodilos (2009).

TEMAS
Vida e obra do autor, companheiros de viagem intelectual, linguagens da poesia, entre outros.

MEDIAÇÃO
Pedro Américo de Farias
Wilson Araújo de Sousa.

QUANDO
29 de junho de 2011 – 19 às 21h

ONDE
Poty Livraria
Rua do Riachuelo, 202 / esquina Sete de Setembro
Boa Vista – Recife – PE.

A livraria conta com um pequeno e aconchegante Café.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

poemas de ferreira gullar

Primeiros Anos


Para uma vida de merda
nasci em 1930
na Rua dos Prazeres

Nas tábuas velhas do assoalho
por onde me arrastei
conheci baratas formigas carregando espadas
caranguejeiras
                     que nada me ensinaram
exceto o terror

Em frente ao murro negro do quintal
as galinhas ciscavam, o girassol
gritava asfixiado
           longe longe do mar
           (longe do amor)

E no entanto o mar jazia perto
detrás de mirantes e palmeiras
embrulhado em seu barulho azul

E as tardes sonoras
rolavam claras sobre nossos telhados
sobre nossas vidas.
                           E do meu quarto
eu ouvia o século XX
farfalhando nas árvores da quinta.

Depois me suspenderam pela gola
me esfregaram na lama
me chutaram os colhões
e me soltaram zonzo
em plena capital do país
sem sequer uma arma na mão.



Poema obsceno



       Façam a festa
                cantem e dancem
       que eu faço o poema duro
                                      o poema-murro
                                      sujo
                                      como a miséria brasileira
       Não se detenham:
       façam a festa
                            Bethânia Martinho
                            Clementina
       Estação Primeira de Mangueira Salgueiro
       gente de Vila Isabel e Madureira
                                                     todos
                                                     façam
       a nossa festa
enquanto eu soco este pilão
                                     este surdo
                                          poema
que não toca no rádio
que o povo não cantará
(mas que nasce dele)
Não se prestará a análises estruturalistas
Não entrará nas antologias oficiais
         Obsceno
como o salário de um trabalhador aposentado
         o poema
terá o destino dos que habitam o lado escuro do país
         - e espreitam.


> poemas do NA VERTIGEM DO DIA, de 1980. Um dos livros de poemas de Ferreira Gullar que mais me comovem.

terça-feira, 21 de junho de 2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

poema de bruno gaudêncio

 
> exercícios de observação improvável I 2011 
 



















OSSOS
                   Para Vamberto Spinelli Jr.

 
acaso
caos
nossos
ossos
são
sons?

são caos
os casos,
os ossos
sós?

o caos,
acaso,
a casa…

>
Agradeço a Bruno pela dedicatória, e a recebo como uma disposição fraterna de diálogo poético. O poema foi postado no blog do grupo Caixa Baixa que conta com a participação de Bruno. 
+ aqui <  


divulgação

>
Exercícios de Admiração
conversas com gente do pensamento e da criação artística

Exercício I

convidado:
Gilvan Lemos, romancista e contista.

temas:
vida e obra do autor, companheiros de viagem intelectual, lingaguens da ficção, entre outros.

mediação:
Pedro Américo de Farias
Wilson Araújo de Sousa

quando:
15 de junho, das 19 às 21 horas.

onde:
Potylivros
Rua do Riachuelo, 202, esq. 7 de setembro
Boa Vista
Recife-PE

poemas de linaldo guedes

SANHAUÁ

o sanhauá
sangra de paixão pela paraíba

e a paraíba
faz um círculo em torno do sanhauá

- onde ecoa o assovio do tempo que se arrasta.


HIPÓTESE

e se eu te amasse
como um pássaro
ama a gaiola que o prende?


EQUÍVOCO

um lápis
e um papel em branco
resumem o segredo de minha vida:

uma palmeira imperial
que cresceu
no século errado.

> Poemas do livro os zumbis também escutam blues e outros poemas, de 1998.

Reli o Zumbis..., primeiro livro de Linaldo Guedes, neste último fim de semana, e já ia publicar alguns de seus poemas aqui. Depois, soube que esta semana Linaldo festeja mais um ano de vida, então a postagem vem a calhar também por este contexto especial. Sou muito grato a Linaldo, foi ele quem primeiro, fora do círculo das amizades complacentes, me incentivou na tocada da literatura, publicando poemas meus no Correio das Artes quando era editor desde importante suplemento/revista literária. Anos depois escreveu uma generosa apresentação para o Sem Lugar. Linaldo além de bom poeta é um militante da literatura, e sempre com espírito aberto vem arejando as letras paraibanas.        

segunda-feira, 6 de junho de 2011

>
para iniciar mais uma semana, sempre cheia, sem brechas, deixo Lenine cantando Paciência.



poema de Claudia Roquette-Pinto

POEMA SUBMERSO


olho: peixe-olho que
desvia a mão enguia
a pele lisa a
té o umbigi e logo
a flora de onde aflora
(na virilha) o
barbirruivo a
ceso bruto an
fíbio: glabro

dedos tão tentáculos
e crispam esmer
ilham dorso abaixo a
cima abaixo brilha
o esforço - bravo
peixe tentando escapar         mas

ei-lo ao pé da frincha que
borbulha (esbugalha?)
roxo incha e mergulha em
brasa estala
e agora murcha
peixe-agulha e
vaza
vaza


>
poema de claudia roquette-pinto encontrado na antologia na virada do século: poesia de invenção no brasil (2002), organizada por claudio daniel e frederico barbosa.

+ da poeta aqui <