terça-feira, 21 de junho de 2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

poema de bruno gaudêncio

 
> exercícios de observação improvável I 2011 
 



















OSSOS
                   Para Vamberto Spinelli Jr.

 
acaso
caos
nossos
ossos
são
sons?

são caos
os casos,
os ossos
sós?

o caos,
acaso,
a casa…

>
Agradeço a Bruno pela dedicatória, e a recebo como uma disposição fraterna de diálogo poético. O poema foi postado no blog do grupo Caixa Baixa que conta com a participação de Bruno. 
+ aqui <  


divulgação

>
Exercícios de Admiração
conversas com gente do pensamento e da criação artística

Exercício I

convidado:
Gilvan Lemos, romancista e contista.

temas:
vida e obra do autor, companheiros de viagem intelectual, lingaguens da ficção, entre outros.

mediação:
Pedro Américo de Farias
Wilson Araújo de Sousa

quando:
15 de junho, das 19 às 21 horas.

onde:
Potylivros
Rua do Riachuelo, 202, esq. 7 de setembro
Boa Vista
Recife-PE

poemas de linaldo guedes

SANHAUÁ

o sanhauá
sangra de paixão pela paraíba

e a paraíba
faz um círculo em torno do sanhauá

- onde ecoa o assovio do tempo que se arrasta.


HIPÓTESE

e se eu te amasse
como um pássaro
ama a gaiola que o prende?


EQUÍVOCO

um lápis
e um papel em branco
resumem o segredo de minha vida:

uma palmeira imperial
que cresceu
no século errado.

> Poemas do livro os zumbis também escutam blues e outros poemas, de 1998.

Reli o Zumbis..., primeiro livro de Linaldo Guedes, neste último fim de semana, e já ia publicar alguns de seus poemas aqui. Depois, soube que esta semana Linaldo festeja mais um ano de vida, então a postagem vem a calhar também por este contexto especial. Sou muito grato a Linaldo, foi ele quem primeiro, fora do círculo das amizades complacentes, me incentivou na tocada da literatura, publicando poemas meus no Correio das Artes quando era editor desde importante suplemento/revista literária. Anos depois escreveu uma generosa apresentação para o Sem Lugar. Linaldo além de bom poeta é um militante da literatura, e sempre com espírito aberto vem arejando as letras paraibanas.        

segunda-feira, 6 de junho de 2011

>
para iniciar mais uma semana, sempre cheia, sem brechas, deixo Lenine cantando Paciência.



poema de Claudia Roquette-Pinto

POEMA SUBMERSO


olho: peixe-olho que
desvia a mão enguia
a pele lisa a
té o umbigi e logo
a flora de onde aflora
(na virilha) o
barbirruivo a
ceso bruto an
fíbio: glabro

dedos tão tentáculos
e crispam esmer
ilham dorso abaixo a
cima abaixo brilha
o esforço - bravo
peixe tentando escapar         mas

ei-lo ao pé da frincha que
borbulha (esbugalha?)
roxo incha e mergulha em
brasa estala
e agora murcha
peixe-agulha e
vaza
vaza


>
poema de claudia roquette-pinto encontrado na antologia na virada do século: poesia de invenção no brasil (2002), organizada por claudio daniel e frederico barbosa.

+ da poeta aqui < 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

poema do Sem Lugar


pintura do equatoriano Oswaldo Guayasamín
 TAMBOR RUBOR


sob tanta carne vestido pêlos
soube
antevi por dentro
ultra-delicada cada apelo seu

tão gesto
de mão supercílios dentes
boca e outras brechas
ultra-delicadas frestas
entre carnes
molhadas rompendo
silenciosamente
sob vestido pêlos

terminados os apelos
entre pêlos
ficamos

ultra-delicada
mente

>poema do meu livro SEM LUGAR (2007).
abaixo uma tradução minha do poema para o espanhol

pintura do equatoriano Oswaldo Guayasamín


TAMBOR RUBOR


bajo tanta carne vestido pelos
supe
anteví por dentro
ultra-delicado cada reclamo suyo

tan gesto
de manos cejas dientes
boca y otras brechas
ultra-delicadas rendijas
entre carnes
mojadas rompiéndose
silenciosamente
bajo vestidos pelos


terminados los reclamos
entre pelos
quedamos

ultra-delicada
mente