sábado, 14 de novembro de 2009
POEMA de MARINA TZVIETÁIEVA
Lágrimas de ira e de amor!
Olhos molhados, quanto!
Espanha em sangue!
Tchecoslováquia em pranto!
Montanha negra -
Toda a luz amputada!
É tempo - tempo - tempo
De devolver a Deus a entrada!
Eu me recuso a ser.
No asilo da não-gente
Me recuso a viver.
Com o lobo regente
Me recuso a uivar.
Com os tubarões do prado
Me recuso a nadar,
Dorso quebrado.
Ouvidos? Eu desprezo.
Meus olhos não têm uso.
Ao teu mundo sem senso
A resposta é - recuso
Poema de "Versos à Tchecoslováquia" (1939). Tradução de Augusto de Campos.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Poema de Antônio Mariano
A língua dos poetas
Língua era lã-
mina
aconchegante,
e explosiva,
conforme a boca.
Maleabilíssima
a língua do poeta:
tátil às vezes,
tática sempre.
In: Guarda Chuvas Esquecidos (Lamparina, 2005).
Língua era lã-
mina
aconchegante,
e explosiva,
conforme a boca.
Maleabilíssima
a língua do poeta:
tátil às vezes,
tática sempre.
In: Guarda Chuvas Esquecidos (Lamparina, 2005).
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Poema do SEM LUGAR
a todo segundo que valha
estamos
sem
risos
todos
os
riscos
pujantes
cacos
de
vidro
andantes
estamos
sem
risos
todos
os
riscos
pujantes
cacos
de
vidro
andantes
2 Poemas de Astier Basílio
edição do autor
para solha
a platéia é um vazio que não veio,
mas que vaia. escrever
é a única forma de se vingar.
para solha
a platéia é um vazio que não veio,
mas que vaia. escrever
é a única forma de se vingar.
...
rumo
o que sobra da escolha
será sempre contra ti
os pontos cardeais
em mal contato
In: Eu sou mais veneno que paisagem (CBJE, 2008)
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Poema de Donizete Galvão
Livro de cabeceira
Rói as unhas,
os cantos dos dedos
e os nós da mão
até que doer
seja uma forma
de esquecimento.
Lanha-se com
caco de vidro
cada pedaço da pele
para que se auto-revele
a urdidura de cicatrizes,
incunábulo, xilogravura,
esgar de máscara:
a dor como escritura.
DONIZETE GALVÃO
poema recolhido da antologia na virada do século: poesia de invenção no brasil (2002), organizada por Frederico Barbosa e Cláudio Daniel
Rói as unhas,
os cantos dos dedos
e os nós da mão
até que doer
seja uma forma
de esquecimento.
Lanha-se com
caco de vidro
cada pedaço da pele
para que se auto-revele
a urdidura de cicatrizes,
incunábulo, xilogravura,
esgar de máscara:
a dor como escritura.
DONIZETE GALVÃO
poema recolhido da antologia na virada do século: poesia de invenção no brasil (2002), organizada por Frederico Barbosa e Cláudio Daniel
Poema de Frederico Barbosa
Desexistir
Quando eu desisti
de me matar
já era tarde.
Desexistir
já era um hábito.
Já disparara
a auto-bala:
cobra cega se comendo
como quem cava
a própria vala.
Já me queimara.
Pontes, estradas,
memórias, cartas,
toda saída dinamitada.
Quando eu desisti
não tinha volta.
Passara do ponto,
já não era mais
a hora exata.
FREDERICO BARBOSA
poema do livro Contracorrente (2000)
Quando eu desisti
de me matar
já era tarde.
Desexistir
já era um hábito.
Já disparara
a auto-bala:
cobra cega se comendo
como quem cava
a própria vala.
Já me queimara.
Pontes, estradas,
memórias, cartas,
toda saída dinamitada.
Quando eu desisti
não tinha volta.
Passara do ponto,
já não era mais
a hora exata.
FREDERICO BARBOSA
poema do livro Contracorrente (2000)
quinta-feira, 31 de julho de 2008
POEMA do SEM LUGAR
FETAGEM
as gentes e a cidade
mãe e filho
e ainda mais :
cimento e carne
útero de concreto e cria
num constante devir
engenharia mútua de si
as gentes e a cidade
mãe e filho
e ainda mais :
cimento e carne
útero de concreto e cria
num constante devir
engenharia mútua de si
Assinar:
Postagens (Atom)