terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Poema de Antônio Mariano

A língua dos poetas



Língua era lã-
mina
aconchegante,
e explosiva,
conforme a boca.

Maleabilíssima
a língua do poeta:
tátil às vezes,
tática sempre.

In: Guarda Chuvas Esquecidos (Lamparina, 2005).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Poema do SEM LUGAR

a todo segundo que valha


estamos
sem
risos

todos

os
riscos

pujantes

cacos
de
vidro

andantes

2 Poemas de Astier Basílio

edição do autor
para solha

a platéia é um vazio que não veio,
mas que vaia. escrever
é a única forma de se vingar.

...

rumo

o que sobra da escolha
será sempre contra ti

os pontos cardeais
em mal contato


In: Eu sou mais veneno que paisagem (CBJE, 2008)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Poema de Donizete Galvão

Livro de cabeceira


Rói as unhas,
os cantos dos dedos
e os nós da mão
até que doer
seja uma forma
de esquecimento.
Lanha-se com
caco de vidro
cada pedaço da pele
para que se auto-revele
a urdidura de cicatrizes,
incunábulo, xilogravura,
esgar de máscara:
a dor como escritura.



DONIZETE GALVÃO
poema recolhido da antologia na virada do século: poesia de invenção no brasil (2002), organizada por Frederico Barbosa e Cláudio Daniel

Poema de Frederico Barbosa

Desexistir


Quando eu desisti
de me matar
já era tarde.

Desexistir
já era um hábito.

Já disparara
a auto-bala:
cobra cega se comendo
como quem cava
a própria vala.

Já me queimara.

Pontes, estradas,
memórias, cartas,
toda saída dinamitada.

Quando eu desisti
não tinha volta.

Passara do ponto,
já não era mais
a hora exata.



FREDERICO BARBOSA
poema do livro Contracorrente (2000)

quinta-feira, 31 de julho de 2008

POEMA do SEM LUGAR

FETAGEM




as gentes e a cidade
mãe e filho
e ainda mais :
cimento e carne

útero de concreto e cria
num constante devir
engenharia mútua de si

terça-feira, 10 de junho de 2008

POEMA do SEM LUGAR

foto: intervenção urbana, calle Jáen - La Paz














livre comércio
atados destinos

contabilidade matéria
sem somar intestinos